"A cada postagem construída por meio das contribuições do corpo docente e discente do Curso de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática e da comunidade científica em geral esse blog vai tomando forma...

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Área 46 da CAPES



Características do mestrado profissional em Ensino de Ciências e Matemática
Critérios definidos pela Área 46 da CAPES.

As principais características dos mestrados profissionais da Área de Ensino de Ciências e Matemática – natureza, público-alvo, especificidade, currículo, corpo docente, duração – foram estabelecidas na época de criação da Área e pouco mudaram desde então [1,2] (a regulamentação específica para os mestrados profissionais no âmbito da Capes é recente, data de 2009, e não colide com os padrões definidos pela Área [3]).

Os mestrados profissionais da Área destinam-se principalmente a professores de Matemática e Ciências (Biologia, Química, Física e áreas afins) em exercício, mas é possível oferecê-los a profissionais que atuam em contextos não-formais ou informais de ensino, como é o caso, por exemplo, da Saúde e do Ambiente. O mestrado profissional não deve afastar o professor do ambiente escolar.
Os mestrados profissionais em Ensino de Ciências e Matemática não são variações ou adaptações dos mestrados acadêmicos já existentes na Área; são intrinsecamente diferentes. Seu foco está na aplicação do conhecimento, ou seja, na pesquisa aplicada e no desenvolvimento. A pesquisa em Ensino de Ciências e Matemática já produziu uma vasta e bem documentada quantidade de conhecimentos, mas até nem sempre esta pesquisa chega na sala de aula. O desenvolvimento de produtos e processos educacionais que tomem como ponto de partida esse conhecimento acumulado e sejam implementados em condições reais de ensino deve ser a ênfase dos mestrados profissionais da Área.

A natureza do trabalho de conclusão do mestrado profissional é distinta da do acadêmico; trata-se de uma pesquisa aplicada com a implementação de estratégias ou produtos de natureza educacional, visando à melhoria do ensino em uma área específica de Ciências ou Matemática. O mestrando deve desenvolver um processo ou produto instrucional e utilizá-lo em condições reais de sala de aula ou de espaços não formais ou informais de ensino, relatando os resultados dessa experiência. Os trabalhos de conclusão devem ser apresentados em forma de dissertação, examinadas por bancas bem qualificadas que contem com membros externos ao programa.

A dissertação do mestrado profissional em ensino deve, necessariamente, apresentar um produto educacional que possa ser disseminado, analisado e utilizado por outros professores. Este produto, que deve ser destacável do corpo da dissertação, pode ter a forma de um texto sobre uma seqüência didática, um aplicativo computacional, um vídeo (na internet ou em CD/DVD), um equipamento; enfim, algo identificável e independente da dissertação. O produto educacional deve estar disponível na página do programa, caso isso não viole direitos autorais.

O corpo docente do curso de mestrado profissional deve, necessariamente, incluir um número significativo de doutores em Ensino de Ciências ou Matemática ou doutores de outras áreas que sejam já reconhecidos pela Área como pertencentes a ela. O mestrado profissional é um espaço para a incorporação à Área de Ensino de Ciências e Matemática de doutores em áreas específicas que estejam, de fato, dispostos a nela atuar de maneira efetiva. É uma excelente oportunidade para que pesquisadores em ensino e das chamadas “áreas duras” cooperem e contribuam para a melhoria do Ensino de Ciências e Matemática no país. Docentes que não possuírem título de doutor devem apresentar produção acadêmica reconhecida e significativa na Área.

Os membros do corpo docente permanente deverão apresentar em média, por ano, nos três anos da avaliação trienal, pelo menos uma produção técnica e uma produção acadêmica, segundo os critérios da Área para o que se classifica como cada um desses tipos de produção. Dos discentes, espera-se que os trabalhos de conclusão gerem produções técnicas. Um orientador não deverá ter mais de oito orientandos, contando todas as suas orientações dentro e fora do mestrado profissional.

Os cursos de mestrado profissional em ensino devem ter de 30 a 50% de sua carga horária total em disciplinas obrigatórias de conteúdo de Ciências ou Matemática, direcionadas ao ensino e enfatizando a  conceitualização, a fenomenologia e a transposição didática. O objetivo é melhorar e/ou atualizar a formação dos professores em conteúdos específicos, levando em conta que o profissional que ensina Ciências ou Matemática deve saber o que está ensinando e saber como ensinar esse conteúdo. As disciplinas de natureza pedagógica e epistemológica devem enfocar a aprendizagem, a natureza do conhecimento, as novas abordagens ao ensino, subsidiando a elaboração de estratégias e recursos instrucionais inovadores a serem implementados em sala de aula. Ao mesmo tempo, devem estimular os professores a refletir sobre sua prática profissional, de forma a mudar suas representações sobre o ensino, a aprendizagem e o conhecimento. O Acompanhamento de Prática Profissional é requisito obrigatório para a integralização curricular nos mestrados profissionais da Área. Ele é uma oportunidade para que o orientador vá à escola, conheça o local de trabalho do orientando e acompanhe a implementação da proposta que gerará o trabalho de conclusão. O acompanhamento deve ser realizado in loco, se possível; gravações em vídeo e outras formas de acompanhamento podem ser utilizadas em casos de dificuldade de acesso à escola. O objetivo é que o orientador tome conhecimento da realidade da escola ou ambiente de trabalho de seu orientando de modo que, em parceria, possam levantar questões a serem estudadas e, possivelmente, melhorar essa realidade.

Referências
[1] M. A. Moreira, O mestrado (profissional) em ensino, Revista Brasileira de Pós-Graduação, v. 1, n. 1, p. 131-142, 2004.
[2] M. A. Moreira, A área de ensino de ciências e matemática na CAPES: panorama 2001/2002 e critérios de qualidade, Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, v. 2, n. 1, p. 36-59, 2002.
[3] Ministério da Educação, Brasil, Portaria Normativa, no. 17 de 28 de dezembro de 2009, Diário Oficial da União, no. 248, de 29/12/2009.
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Prof. Elcio Schuhmacher
Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática (PPGCIEM).
Chefe do Departamento de Fisica.

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